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Pronunciamento do
discurso proferido pelo Senador Marcelo Crivella, no Plenário do Senado
Federal no dia 18 de setembro de 2007
O
SR. MARCELO CRIVELLA
(Bloco/PRB – RJ. Como Líder. Sem
revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, senhores
telespectadores da TV Senado, senhores ouvintes da Rádio Senado, senhores
presentes neste plenário, no Brasil, há hoje 60 mil famílias que clamam
por justiça. São 60 mil famílias em cujas casas há uma só prece. Em cada
alma, há uma só dor; e, em cada olhar, a mesma lágrima de indignação e de
revolta. Hoje, no Brasil, há 60 mil famílias de homens e de mulheres
honrados que, no passado, transportavam, pelos céus do País e do mundo, os
sonhos, os negócios, os interesses, a Bandeira do Brasil e dos
brasileiros, construindo o progresso da Pátria, e que contavam com o
direito sagrado de envelhecer com dignidade, recebendo o fruto do que
plantaram e que hoje lhes é covardemente negado.
Falo, Sr. Presidente, dos funcionários daquela Varig cuja estrela
representava, no imaginário dos brasileiros da minha geração, o sonho de
rasgar, nos horizontes infinitos da Pátria, os caminhos do desconhecido,
do misterioso e dos fascinantes cenários do mundo.
No mês passado, o Fundo Aerus, para o qual cada um deles contribuiu com
esforço e com o sacrifício de uma vida, já não lhes complementava os
proventos, deixando 60 mil famílias na insegurança de um vôo cego, cujo
comandante não é mais um deles, adestrados, competentes e audazes, que, a
golpes de tenacidade e de coragem, conduziam suas aeronaves em meio às
tempestades, mas é um governo insensível que permitiu que a estrela
daquela Varig se apagasse num melancólico crepúsculo, numa vil e obscura
tristeza.
Quantas vezes, desta tribuna, eu mesmo e diversos outros Srs. Senadores
pedíamos, insistíamos, ponderávamos e até clamávamos para que se
encontrasse uma saída para a crise! Os jornais noticiavam que altas
autoridades do Palácio próximas ao Presidente tinham outras intenções,
representavam outros interesses, inconfessáveis, urdidos na calada,
enquanto assistíamos, com pesar, àquela procissão diária de funcionários
que percorriam, incansavelmente, os gabinetes e os corredores do
Congresso, qual um desfile de miasmas, na tentativa derradeira de salvar
aquela companhia pela qual ofereciam a redução de seus salários e de seus
direitos trabalhistas e, por fim, como garantia de um empréstimo do BNDES,
até o desconto consignado em folha. Mas tudo foi em vão. Os técnicos
insensíveis do Governo preferiram ser a corda da forca, a lâmina fria da
guilhotina, as ondas de alta voltagem de uma cadeira elétrica.
Há hoje, no Brasil, Sr. Presidente, 60 mil famílias que não sabem como
enfrentar o amanhã, o que dizer para seus filhos e netos, como encarar o
futuro. E é em nome deles que clamo ao Senado, ao Congresso e à Nação. Se
os técnicos do Governo se recusaram, sem justificativa plausível, a pagar
o que deviam e foi determinado pela Justiça brasileira para salvar a
companhia, antes, permitiram que seus compromissos internacionais
vencessem, que o combustível fosse cortado, que as vagas nos aeroportos
lhe fossem negadas, colocando aquela empresa – antes símbolo de qualidade
e de segurança – de joelhos, humilhada, sem saber que ali nascia o apagão
aéreo de hoje, que tanto sangue inocente derramou no solo brasileiro!
Que pelo menos agora garantam dignidade de sobrevivência a essas 60 mil
famílias beneficiárias do fundo de pensão Aerus, que hoje não sabem mais a
quem recorrer!
Ouça, Senhor Presidente Lula, a voz desses infelizes, desses esquecidos e
quebrantados, e lhes faça justiça! Que seu Governo, que foi tão
inflexível, tão duro e tão implacável, que foi aconselhado por auxiliares
mal-intencionados que não ouviam o interesse nacional, mas a própria
insaciável e desmedida ganância, ouça agora essas 60 mil famílias, esse
coro de mais de 200 mil vozes, e se reencontre com seu passado e com sua
biografia!
O Sr. Sérgio Zambiasi
(Bloco/PTB – RS) – Senador Crivella, permita-me um aparte?
O SR. MARCELO CRIVELLA
(Bloco/PRB – RJ) – Faça, Senhor Presidente Lula, justiça! Pague o que lhes
deve! Deus, lá do céu, há de cobrir a Pátria brasileira com seus olhos de
gratidão, no momento em que um desses anjos que vigiam os homens levar as
boas novas de que, no Brasil, ainda se respeita o Direito!
Ouço, com alegria, o Senador Zambiasi.
O Sr. Sérgio Zambiasi
(Bloco/PTB – RS) – Obrigado pela oportunidade. O Senador Papaléo Paes, que
preside a sessão, oferece-nos, generosamente, este minuto. Solidarizo-me
com seu pronunciamento, Senador Crivella. Nós, do Rio Grande do Sul – o
Senador Pedro Simon e o Senador Paim, que está pronto também para se
manifestar –, estamos acompanhando toda essa angústia, todo esse
sofrimento, toda essa tristeza dessas 60 mil famílias – são mais de
duzentas mil pessoas –, que estão na expectativa de solução para algo cuja
luta existe há muito tempo. Acompanhamos todos os passos para salvar a
Varig. Fizemos parte da Frente Parlamentar da Varig aqui, no Congresso
Nacional. Acompanhamos toda a luta, para que a estrela da Varig
continuasse sobrevoando não os céus do Brasil, mas os da América do Sul e
do mundo, como fazia, numa verdadeira integração de todos os quadrantes. E
o mínimo que se pode fazer, neste momento, é chamar a atenção do Governo
para essas famílias que nos visitam no Rio Grande do Sul. Estiveram comigo
lá, estiveram aqui conosco, em nossos gabinetes, pedindo mobilização –
mais uma – do Congresso Nacional, para que o Governo assumisse esse
empenho, fosse à frente nessa luta. E que Lula, com sua sensibilidade de
homem do povo, possa nos amparar nessa caminhada e oferecer uma solução
não para nós, mas para essas famílias que ofereceram uma vida inteira de
trabalho para uma instituição nacional, que é a Varig, e que, hoje, estão
desamparadas. Parabéns pela sua manifestação, com toda a sensibilidade, a
devoção e a fé manifestadas hoje aqui!
O SR. MARCELO CRIVELLA
(Bloco/PRB – RJ) – Muito obrigado, Senador Zambiasi.
Passo a palavra ao ilustre colega Senador Paulo Paim.
O Sr. Paulo Paim
(Bloco/PT – RS) – Senador Crivella, de forma muito rápida, também quero
demonstrar nossa solidariedade ao seu pronunciamento, aos funcionários da
Varig, aos ex-funcionários da Varig e aos aposentados e pensionistas da
Varig. Infelizmente, o Aerus está em situação desesperadora. Eles estão
recebendo praticamente um décimo daquilo que teriam direito a receber.
Inclusive, junto com eles, exigimos ao Supremo Tribunal Federal uma saída,
porque é inadmissível que quem recebia R$3 mil esteja recebendo R$1 mil –
e não sabe se continuará recebendo. Devido a isso é que quero somar minhas
palavras ao seu pronunciamento, na expectativa de que o Governo Federal
apresente também uma proposta que aponte uma saída para a situação
desesperadora dessas trabalhadoras e desses trabalhadores com idade
avançada, que, infelizmente, pela forma como foi administrado o Aerus,
encontram-se nessa situação. Parabéns a V. Exª! Vamos até torcer para que
a Varig volte às suas atividades. Tenho a certeza de que, se a Varig – e o
Senador Heráclito Fortes trabalhou conosco nesse sentido – não estivesse
nessa situação, o transporte aéreo brasileiro estaria, com certeza, muito,
muito melhor. Parabéns a V. Exª!
O SR. MARCELO CRIVELLA
(Bloco/PRB – RJ) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
Fica este apelo do Senado, para que se cumpra a decisão da Justiça e para
que se pague aquilo que se deve à Varig.
Que Deus se apiede do Brasil! Que Deus ilumine o pensamento do Governo
brasileiro! |