A aprovação do plano de recuperação judicial da nossa companhia renovou nossas esperanças de termos uma Nova Varig voando alto, posicionada novamente à frente do mercado e no caminho do crescimento em médio prazo.
Há exatamente quatro anos, iniciávamos um enfrentamento apoiado na denúncia, de que a nossa Empresa estava sendo desmantelada e na constatação de uma mudança no modelo de governança corporativa ser a única saída possível.
Todos devem se lembrar das primeiras apresentações que a Apvar e seus consultores fizeram nas assembléias. No meio do ano de 2002, após 32 pilotos já terem sido demitidos ilegal, arbitrária e covardemente em retaliação à nossa denúncia do desmonte, a dívida da Varig já havia atingido patamares assombrosos, a warning light já estava acesa, e o patrimônio líquido já estava negativo em mais de $600 milhões.
De lá pra cá, todos vimos os números do déficit se multiplicarem geometricamente. E foram 4 anos de sucessivas tentativas de golpe dentro da empresa, em meio a mentiras e sofismas vindos de todas as partes, e que buscavam incessantemente atar o único pólo de resistência existente: o movimento dos trabalhadores.
Desde o início, tivemos mais inimigos que aliados. Mais dificuldades do que ajuda. Todavia, com o tempo, isto foi mudando. Pela perseverança da ação e coerência do discurso, passamos a ter o valoroso apoio do grupo de comissários e mecânicos de vôo, assim como dos pilotos da Nordeste, vários colegas da Rio Sul e milhares de aposentados e aeroviários, os quais, hoje, formam o bloco TGV.
A luta da TGV tem sido a mesma: contra um esquema que sangrava a companhia e que estava construído sobre uma robusta e complexa rede de trocas de favores e interesses, que mantinham as posturas de seus beneficiários dentro da Varig, mas, também, e principalmente, fora dela.
Este é o caso, por exemplo, dos famigerados grupos que se apossaram de nossos sindicatos. Eles têm atuado contra os trabalhadores e contra a Varig diuturnamente. Sim, aquele mesmo grupo que “garantiu” a defesa dos aeronautas da Vasp. Aquele mesmo grupo que garantiu a salvação da Transbrasil. Aquele mesmo grupo que escreveu em boletim irresponsável que o Aerus “tem seus mecanismos próprios de proteção”, tentando encobrir os desmandos de seus aliados na dilapidação do Instituto.
Mas, qual o verdadeiro cenário da aviação brasileira à volta desta liderança sindical em seu histórico curricular? Acumularam a perda do respeito reiterado à regulamentação e às convenções coletivas de trabalho, assistiram ao poder aquisitivo dos aeronautas deteriorar-se gradativamente nos últimos 10 anos, e acompanharam passivamente os aeronautas da Transbrasil e da Vasp engrossar a fila dos desempregados. Além, é claro, do próprio esvaziamento completo dos sindicatos ao longo dos últimos 15 anos.
No episódio Varig, a direção executiva do SNA não apoiou os demitidos da companhia em um só momento. Pelo contrário, tentou, por diversas vezes, expulsá-los do Sindicato! Tentou evitar a convocação de assembléias para debater a crise da empresa, as quais somente logrou-se realizar debaixo de ordem judiciais, pois eles preferem o sistema dos arcana imperii , os encontros secretos dos gabinetes feudais da era medieval. Nada de debate, tudo na surdina. Um sistema que, naturalmente, atende aos seus interesses, mas não aos nossos, pois os trabalhadores preferem o debate, a clareza, a retidão e a coerência.
Mas, ao fim e ao cabo, temos avançado! Acabamos com a transferência, em pleno curso, dos ativos da Varig e de sua mão-de-obra para suas subsidiárias. Impedimos a liquidação da empresa e venda a preço vil para a Tam, mesmo que isto significasse enfrentar pesos pesados políticos, que se aliaram ao nosso falido sindicalismo cutista, para apoiar vergonhosamente esta ação malograda e temerária contra os trabalhadores. E, por fim, impedimos um negócio que estava por ser feito, ao apagar das luzes, e que nos levaria todos ao total desemprego.
Isto porque, durante 4 anos de ataque de todos os lados, e mais diretamente do próprio Sindicato, nos mantivemos absolutamente coerentes. Não mudamos nosso discurso em um só momento, ao contrário desses sindicatos. Lutamos pela mudança do modelo de governança corporativa desde o início. Foi e tem sido este nosso mote durante toda esta batalha. A liderança sindical não pode dizer o mesmo. Talvez, um dia, alguns se interessem em fazer uma aventura literária pelas publicações do SNA ao longo dos últimos 4 anos. Se não fosse trágico, seria cômico.
E estes diretores sindicais não desistem. Continuam a ir aos tribunais para defender que os aeronautas não tenham o direito de se reunir em assembléias. Continuam a alimentar a imprensa, o Judiciário e diversas instâncias governamentais com sofismas, ameaçando a tranqüilidade necessária para a Varig neste momento. Não fazem nada, absolutamente nada para agregar ao nosso trabalho de recuperar a nossa companhia e salvar nosso futuro profissional. Só atrapalham. E com a mesma conversa mole e vazia de sempre: “só queremos defender os direitos dos trabalhadores...”. A mesma linha de discurso que não evitou – e até precipitou - o fim da Transbrasil e da Vasp.
O Judiciário já reconheceu esta situação absurda e já declarou: (1) a direção sindical está proibida de falar em nome da categoria, a menos que seja convocada assembléia, para que esta determine o que os trabalhadores efetivamente desejam; e (2) a representação dos aeronautas da Varig em todos os assuntos referentes ao processo de recuperação judicial deve ser feita pela Comissão Especial designada por sua Assembléia Geral.
No fim deste ciclo de 4 anos, ganhamos a luta da dignidade e da esperança. Não asseguramos, ainda, a sobrevida da Varig e muito trabalho ainda há a ser feito pela frente. Mas, resgatamos, lá do fim do poço, literalmente, as nossas chances e as nossas expectativas. Isto, sem posarmos em fotos ao lado do presidente, sem discursos apoiados em conhecimentos pessoais, sem falsas promessas. Mas, sim, com muita seriedade e, sobretudo, perseverança.
O tempo é o senhor da razão. Assim, os fatos são, pois, nossa resposta aos incansáveis ataques destas lideranças sindicais, que, certamente, continuarão cada vez mais esvaziados pela força da verdade.
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