NOTA DE ESCLARECIMENTO DA TGV

Informativo TGV – 137/2006
Você bem representado

Os trabalhadores da Varig têm sido um exemplo nacional de profissionalismo, dedicação e unidade. Trabalhando sem salários há vários meses, os funcionários não têm poupado esforços para ajudar a empresa a sair da crise, até mesmo se dispondo a capitalizar a própria Empresa e buscar meios alternativos para evitar sua falência.

Pena que contra esta postura exemplar dos trabalhadores, de suas associações profissionais e sindicatos tenha havido uma campanha ideológica incansável, por parte do Governo Federal e também do Judiciário, criando-se dificuldades e barreiras injustificáveis para a sobrevivência da Varig.

Os trabalhadores impedem a falência

Quando foi apresentada a famigerada proposta de divisão da Varig em uma parte doméstica e outra internacional, um projeto que de imediato provou-se inconsistente, os trabalhadores, de forma organizada e eficaz, a impediram, assim como já haviam impedido a fusão com a TAM.

Em seguida, anteciparam o leilão sob a desculpa de que havia 14 fortes interessados e a Varig deveria ser vendida o mais rápido possível. Como nenhuma proposta foi apresentada, a Varig iria sofrer a decretação de falência, o que só não ocorreu porque os funcionários resolveram unir esforços e apresentar uma proposta de compra.

A “manobra'' contra a recuperação da Varig

Mais uma vez, enfrentamos as mesmas barreiras de sempre. Publicamente, os mesmos interessados em impedir a recuperação da companhia passaram a questionar a existência de um investidor para apoiar a proposta dos trabalhadores. Mas, o investidor só poderia aparecer, por força dos contratos de confidencialidade, e como parece óbvio, após consumado o negócio. Caberia, então, legalmente ao juiz homologar a oferta dos trabalhadores, mas ele não o fez e suspendeu a homologação. O que muita gente não sabe, todavia, é que o juiz rejeitou a homologação não por causa da questão do investidor, como foi alardeado na mídia, mas em razão do questionamento indevido e infundado sobre a utilização de debêntures como moeda de pagamento . Debêntures estas que, aliás, foram utilizadas amplamente nos processos de privatização, ou seja, nada mais legítimo.

Foi neste exato momento que os entendimentos com os investidores se enfraqueceram, já que nada havia em que investir, pois os trabalhadores “ganharam, mas não levaram” . Além disto, e este foi o maior e mais intolerável absurdo desta história, somente após longos 12 dias, o Juiz resolveu se dignar homologar a proposta dos funcionários. E com as mesmas debêntures de antes! Só que já era tarde demais. Com a dura perda de 23 aeronaves, e grave dano à imagem da companhia, os interessados passaram a exigir maiores garantias e a situação só não piorou ainda mais graças ao julgamento prudente, este sim, do Juiz da Corte de Falências de Nova Iorque.

O enorme dano causado e a “manobra” continua

A pergunta que não quer calar é: afinal, por que o Juiz levou 12 dias para homologar a proposta? E quem vai se responsabilizar pelas enormes perdas sofridas pela companhia durante este período? Se o leilão havia sido concluído, como é possível que o Judiciário estivesse abonando “negociações paralelas” com outros interessados?

Enfim, após enorme deterioração do valor econômico da companhia durante 12 dias de total insegurança jurídica, o Juiz finalmente homologou a proposta dos trabalhadores, o que só ocorreu graças à intervenção oportuna de vários deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, sobretudo dos Deputados Paulo Ramos e Vivaldo Barbosa, que alertaram o Juiz quanto ao mar de destruição criado e aos absurdos que se acumularam nesta história vergonhosa.

Só que o escândalo não parou por aí. Mesmo após a homologação tardia do leilão, quando os assessores e consultores da NV Participações se reuniram na sede da Varig, inclusive e ainda, com alguns pretendentes investidores, o Juiz determinou ao Presidente da Varig, por meio do Administrador Judicial, a expulsão de todos do prédio da Varig , num gesto absolutamente incompreensível e inaceitável. Além do imediato afastamento, mais uma vez, dos investidores, este ato impediu também a conclusão do Plano Emergencial de Negócios que também iria ser encaminhado ao BNDES, tornando inviável a obtenção dos dados financeiros e corporativos necessários, além, é claro, do nocivo cenário de insegurança que continuou a existir.

Todos estes fatos compõem um mosaico, cujo cenário geral é um gigantesco absurdo. A palavra mais sincera que os Funcionários da Varig podem externar neste momento é decepção. Decepção com todos os agentes públicos e privados envolvidos na recuperação da Varig. Decepção com a falta de isenção e isonomia das instituições e dos poderes constituídos. Decepção com a enorme barreira ideológica contra a proposta dos Trabalhadores, a única que de fato agrega a questão do Aerus e o compromisso dos funcionários com a recuperação da companhia , através dos seus próprios sacrifícios.

Perspectivas

Agora, com a nova proposta aventada, os inimigos se insurgem novamente. O SNEA, capitaneado pelas empresas congêneres começa a tentar engessar esta nova via, que, obviamente, contará com o apoio dos trabalhadores na medida em que trouxer estabilidade financeira e jurídica ao processo de recuperação judicial, com respeito aos direitos dos trabalhadores e aposentados.

Devemos continuar unidos em torno da preservação da Varig e do Aerus. As últimas semanas foram de dura batalha e, apesar dos pesares, de todos adversários e falsos anjos, ainda estamos de pé, confiantes na recuperação de nossa Empresa e no resgate do nosso Aerus.

Vamos seguir em frente, com a mesma seriedade e objetividade com que temos nos posicionado até aqui. Não nos permitamos cair na tentação dos atos desesperados e das propostas milagrosas. Nossa coerência, profissionalismo e dedicação inequívoca à Empresa é o que nos têm mantido dentro do jogo e confiantes na vitória, ainda que na prorrogação.

TGV

 

Nossa mobilização é a arma da vitória!