Informativo TGV – 132/2006
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Novo vôo |
A nova Varig |
O grupo de trabalhadores adquiriu por todas as operações da empresa, ou seja, o direito de administrar os vôos nacionais e internacionais da companhia. Horários, freqüência de vôos, espaços nos aeroportos, aeronaves e funcionários agora estão sob o guarda-chuva do TGV. Novos controladores não herdam as dívidas. |
Frota: 60 aeronaves (46 em operação) |
Funcionários: 9,4 mil |
Participação de mercado*: 14,4% (doméstico) e 66,45% (internacional) |
*Até maio |
A velha Varig |
As dívidas de R$ 7,9 bilhões ficam com a Varig Comercial, nova denominação da antiga empresa. Além dos recursos recebidos com a venda das operações, a Varig Comercial terá as receitas do programa de milhagem Smiles, percentual nas vendas de passagens e recursos da prestação de serviços em terra. A "velha" Varig também herdará os R$ 4,5 bilhões que o governo federal deverá pagar em razão de uma ação na Justiça. Os governos estaduais também devem outro R$ 1,3 bilhão. Estes recursos serão administrados pelos credores. |
Passo-a-passo da crise: |
2005 |
17/ 06 - A Varig pede recuperação judicial prevista na nova lei de Falências. |
08/11 - TAP define a aquisição de duas subsidiárias da Varig: a VarigLog (posteriormente vendida à Volo) e a Varig Engenharia e Manutenção (VEM). |
14/07 - Aeroviários protestam na Avenida dos Estados, em Porto Alegre. A partir dessa data, as manifestações se tornam freqüentes. |
15/12 - A Fundação Ruben Berta, controladora da Varig, é afastada da direção da empresa pelo juiz que comanda o plano de recuperação judicial. |
2006 |
23/02 - Credores aprovam bases da recuperação judicial. |
04/04 - A VarigLog oferece US$ 350 milhões pelo controle da Varig. |
05/04 - Buraco no fluxo de caixa atinge o limite. A Varig pressiona as estatais Infraero e BR Distribuidora por prazos de pagamento . |
06/04 - A Ocean Air propõe o compartilhamento de vôos em rotas deficitárias da Varig. O acordo emperra na Anac poucos dias depois. |
12/04 - Governo intervém no Aerus e determina a liquidação dos planos de aposentados da Varig (à direita), para evitar o uso do fundo na quitação de dívidas. |
13/04 - A VarigLog aumenta sua oferta pela Varig para US$ 400 milhões. |
18/04 - A Anac veta a venda da empresa para VarigLog. |
20/04 - O governo muda de postura e passa a estudar alternativas para a empresa. Um empréstimo do BNDES passa a ser cogitado. |
02/05 - A assembléia de credores é adiada por falta de quórum. |
05/05 - A VarigLog desiste de comprar a Varig. |
09/05 - Credores aprovam plano de salvação da Varig. |
07/05 - Grupo de funcionários e aposentados comemora o aniversário de 79 anos da Varig, com faixas e bolo no Brique da Redenção. |
27/04 - O governo discute plano com a consultoria Alvarez & Marsal. A proposta prevê a divisão em duas companhias. |
26/04 - A Infraero cobra dívida de R$ 133 milhões e pagamentos diários de R$ 900 mil, mas abre negociação. |
09/05 - Credores aprovam modelo do leilão de venda da companhia. |
08/06 - No leilão, apenas a NV Participações, que representa o TGV, trabalhadores da companhia, apresenta proposta de R$ 1,010 bilhão. |
09/06 - Juiz adia decisão até dia 12. |
12/06 - Ayoub adia outra vez a homologação da venda e estabelece condições para aprovar o negócio. A NV tem de comprovar origem dos recursos e apresentar uma alternativa aos R$ 500 milhões em debêntures. |
13/06 - A Justiça de Nova York prorroga até dia 21 a liminar que impede a retomada de 25 aviões, o que impediria boa parte das operações internacionais. |
16/06 - BR Distribuidora dá prazo para a empresa comprar combustível com recebíveis de passagens compradas com cartões de crédito. Infraero ameaça recolher tarifas direto dos passageiros. |
Ontem - Juiz homologa venda da Varig |
Zero Hora
20/06/06
"Precisamos da ajuda do governo"
Entrevista com Márcio Marsillac - Coordenador do TGV
O coordenador do movimento TGV, o piloto Márcio Marsillac, 40 anos, avalia que a Varig precisa de pelo menos US$ 150 milhões de capital de giro, nos próximos dois meses. Ontem, na saída do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu por telefone entrevista a ZH.
ZH - Qual o próximo passo?
Márcio Marsillac - Teremos uma travessia pesada até sexta (quando se esgota o prazo para o depósito de US$ 75 milhões). Precisamos monetizar (transformar em moeda) as garantias que apresentamos à Justiça para fazer o depósito de US$ 75 milhões.
ZH - Como os senhores pretendem fazer isso?
Marsillac - Precisamos da ajuda do governo. Queremos que o BNDES faça um empréstimo para que possamos depositar os recursos. O banco financiaria a NV, com o empréstimo garantido pelo nosso investidor.
ZH - Os senhores têm os R$ 285 milhões em dinheiro, previsto na proposta do TGV?
Marsillac - É a parte garantida pelo nosso investidor.
ZH - Esse investidor é nacional ou estrangeiro?
Marsillac - Não podemos informar.
Zero Hora
20/06/06
Empregado não larga o manche
PEDRO DIAS LOPES
O novo controlador da Varig surgiu do combate de um grupo de funcionários contra a Fundação Ruben Berta, entidade que comandou a companhia nos últimos 60 anos e que, originariamente e por ironia, foi criada com o nome de Fundação dos Funcionários da Varig, em 1945.
A base do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) foi erguida na Associação de Pilotos da Varig (Apvar). Em 2002, na gestão do comandante Flávio Souza, a Fundação Ruben Berta era liderada por Youtaka Ymagawa e, a Varig, por Ozires Silva. Já não era segredo para ninguém que a situação havia se agravado nos últimos 10 anos e que a interferência de Youtaka nas decisões da empresa era excessiva.
Souza e outros integrantes da Apvar começaram peregrinações a Brasília e junto a deputados estaduais, especialmente, nos legislativos gaúcho e fluminense. O grupo denunciava que a Varig estava em uma situação pré-falimentar e propunha um projeto alternativo, denominado Plano de Reestruturação Ampla (PRA), elaborado pela consultoria SR Rating, do economista Paulo Rabello de Castro, a pedido dos pilotos.
As movimentações resultaram em 60 pilotos demitidos, que gradativamente foram reintegrados à empresa pela Justiça. Nos quatro anos seguintes, o grupo foi uma pedra no sapato da maioria dos presidentes que passou pela Varig nesse período e dividiu os funcionários. Os presidentes não levavam o PRA a sério e muitos trabalhadores, inclusive sindicatos, taxavam o grupo de "apenas mais uma facção tentando tomar o poder na Varig".
Em 2003, juntaram-se à Apvar a Associação dos Comissários da Varig (Acvar), Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig (Amvvar) e a Associação dos Pilotos da Nordeste (APN), formando o movimento Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). O objetivo foi a luta pela preservação da empresa, pelo nível e qualidade dos empregos, manutenção do fundo de pensão Aerus e garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários. Aos poucos, novas associações e sindicatos de funcionários da empresa entraram no grupo.
Situação se agravou muito, com ameaça de falência
Com a entrada em recuperação judicial e o acirramento da crise, a representatividade do TGV foi crescendo e Marcelo Bottini, o atual presidente da companhia, não entrou em choque com o grupo. Na assembléia de credores, realizada há dois meses, o TGV conseguiu não só modificar a proposta da Varig, como também foi decisivo para a aprovação.
Os principais líderes do movimento são os pilotos Márcio Marsillac e Rodrigo Marocco. O primeiro cuidando mais das articulações no campo político, o segundo, desempenhando um papel mais operacional no TGV, apoiado pelo economista Paulo Rabello de Castro.
O movimento nunca escondeu a idéia de formar um consórcio para tentar dar um lance no leilão. Quando o pregão foi antecipado, o grupo criticou a decisão do juiz Luiz Roberto Ayoub, porque contribuiria para desvalorizar o preço da Varig. No dia do leilão, porém, o TGV foi o único a apresentar oferta. A resistência de Ayoub em homologar a proposta, levou a especulações quanto à falta de consistência da oferta e até de que se trataria de um blefe para bloquear a eventual falência.
O TGV insistiu na oferta e conseguiu a homologação. Em 10 dias de espera, a Varig viu seu caixa chegar ao limite, cancelou vôos e teve o fornecimento de combustível ameaçado. A falência rondou a empresa com persistência. Por volta das 20h de ontem, o sonho de quatro anos de um grupo de pilotos tornava-se realidade. Com o acordo com investidores ainda não identificados, o TGV conseguiu evitar o fim da Varig e participará do controle da mais tradicional companhia aérea do país. De funcionário para funcionário.
Nossa mobilização é a arma da vitória!