TGV só existe porque SNA perdeu o rumo
A bem da verdade, mentira tem mesmo pernas curtas. Por isso, os trabalhadores do Grupo Varig se cansaram das mentiras despejadas por tanto tempo sobre os aeronautas e resolveram criar a TGV. Assim, evitaram que a “diretoria perpétua” do SNA dê à Varig destino semelhante ao de outras congêneres. A TGV nasceu de nossa luta contra algumas mentiras – a maior delas, encastelada na direção do SNA há alguns anos e, ultimamente, empenhada em promover a discórdia entre os trabalhadores do Grupo Varig, através de boletins repletos de inverdades e incorreções gramaticais. A TGV só nasceu porque o SNA perdeu o rumo e, por conseqüência, o respeito da categoria. Porque os diretores do SNA, que há anos fazem a dança das cadeiras para se perpetuar nos cargos (bem) remunerados da entidade, transformaram uma instituição respeitada e combativa num arremedo de representação. Incapazes de continuar impondo aos aeronautas um perfil petista e cutista, abertamente rejeitado pelo grupo de vôo, atravessaram mais de uma década “administrando” conquistas dos anos 80, sem avançar uma linha. Apesar de tantas inovações tecnológicas e mudanças no setor aéreo – muitas delas para aumentar o estresse e as dispensas médicas – nossos sindicalistas demonstraram sempre uma grande incompetência para conduzir negociações salariais e campanhas pela manutenção de importantes direitos. E à medida que o SNA se tornava mais desacreditado e incompetente, seus diretores negavam aos associados o direito à realização de assembléias onde pudessem opinar claramente. Da incapacidade de conduzir a categoria ao descumprimento dos Estatutos, a direção sindical chegou ao cúmulo de apoiar publicamente (e com elogios) uma proposta para recuperação da Varig elaborada por empresário que tem contra si centenas de ações trabalhistas, tributárias e previdenciárias. É este o destino que o SNA de hoje planeja para os funcionários do Grupo Varig? Articulados e combativos, com tradição de luta e garra na busca dos ideais, os trabalhadores do Grupo Varig se movimentam há quatro anos para recuperar a empresa e empregos – e, por decorrência, manter o fundo de pensão Aerus. Rompemos, de fato, com esta que se denomina “legítima representação dos trabalhadores” porque, hoje, para nossa perplexidade, o SNA é apenas uma engrenagem burocrática utilizada por sua direção em proveito próprio. Enquanto parte da atual direção sindical quer trocar as turbulências da categoria por um lugar ao sol nos quadros da Anac, os demais, ainda sob o impacto da descoberta de falcatruas e falsos consensos, procuram entender em que ponto o SNA se desviou da rota. Nós, trabalhadores do Grupo Varig, entendemos bem antes. Foi no momento em que o SNA nos fechou a porta e resolveu usar a crise financeira da companhia como moeda de troca com o governo, apoiando uma fusão com a TAM que atendia ao gosto do ex-ministro José Dirceu. Cansamos de contabilizar perdas – FAD; ações dos 4% de produtividade e de diferenças de diárias; reajustes previstos em convenções coletivas (5,8% que só os aeroviários receberam); falta de assembléias do Grupo Varig, inclusive para avaliar a pauta de reivindicações da convenção 2005/2006– e enfrentar manobras, chegamos ao cúmulo de precisar recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro para realizar uma assembléia. A mentira, de fato, está no ar há quase duas décadas. Vem sendo jogada todos esses anos sobre nossa categoria, que paga a peso de ouro assessores, colaboradores, consultores, negociadores, marqueteiros vinculados a partidos políticos e centrais sindicais que encobrem, de fato, um projeto de poder. Projeto este que, infelizmente, não favorece os trabalhadores. Os fatos demonstram em quem você pode confiar! |