Não, apenas mais um fator agravante. O 11 de setembro afetou todas as empresas da aviação comercial, principalmente as norte-americanas. Nos EUA, a ajuda governamental às empresas aéreas evitou o colapso da indústria. Tal atitude, firme e consciente, demonstrou uma política do Governo norte-americano para o setor, ao oferecer recursos condicionados à aprovação de planos de negócios consistentes.
No Brasil, o quadro é outro.
Quase 4 anos após aquele atentado terrorista, a Varig já trocou 7 vezes de presidente e o agravamento cada vez maior da crise econômico-financeira ameaça a sobrevivência da empresa. A ausência de uma gestão ágil na Varig é decorrente de um modelo anacrônico de governança corporativa, que impede a empresa de responder às demandas de um mercado tão dinâmico. O quadro atual, em questão de tempo, levará a empresa ao estrangulamento total – o que normalmente é antecedido pela perda de participação no mercado.
Mas a acentuada perda do controle financeiro e o corte de crédito nas praças nacionais e internacionais não são decorrentes do 11 de setembro. São conseqüências de inquestionável má gestão da Varig (evidente que o controlador, que é a Fundação Ruben Berta, está por trás desta má gestão) e uma série de políticas equivocadas para o setor.
Convém lembrar que, dentre essas políticas equivocadas, destaca-se aquela implantada em 1990, quando o Governo Collor determinou, no 5º Conaer (Congresso Nacional de Aeronáutica), a abertura dos vôos para o exterior a outras duas empresas nacionais (Transbrasil e Vasp).
Tal medida gerou uma contrapartida:
as mega-empresas estrangeiras aumentaram suas freqüências para o Brasil na mesma proporção. Vasp e Transbrasil logo deixaram de voar para o exterior, restando à Varig manter suas freqüências, embora concorrendo de forma desigual com megatransportadoras. Perdeu o Brasil, que cedeu à concorrência predatória estrangeira um espaço conquistado ao longo de décadas de trabalho árduo e sério.
Os equívocos do passado e a atual falta de uma política governamental definida para a indústria do transporte aéreo colocam em risco esta atividade estratégica, representando hoje um dos maiores desafios para os homens públicos deste país.