A Fundação Ruben Berta é uma grande idéia jogada fora pela falta de responsabilidade e comprometimento de quem a administra. Foi idealizada em 1945 por Ruben Martin Berta, seu presidente na época, que inspirou-se nas leituras do Contrato Social de Rousseau e da Encíclica Rerum Novarum. O capital majoritário foi doado para a constituição da Fundação dos Funcionários Varig, assentando-se como finalidade institucional da Fundação a promoção do bem-estar social dos funcionários da Varig. Com a morte de Ruben Berta, a Fundação recebeu seu nome.
O nobre espírito de vanguarda de Berta não impediu que, após sua morte, ocorresse uma complexa disputa interna pelo poder da FRB. À medida que a Varig crescia, aumentava também a disputa pelo poder político-econômico. Com o tempo, formou-se um verdadeiro império de poder dentro da FRB. O Colégio Deliberante da Fundação, outrora representativo dos funcionários-beneficiários, teve o acesso ao seu quadro restrito por meio de alterações em seu Estatuto, viciando sua composição. Passou-se a depender do aval da alta direção da FRB para participação no órgão. Com estas características antidemocráticas, quando se elege o órgão executivo da FRB, composto por sete Curadores (o Conselho de Curadores da FRB é o órgão máximo de poder na Fundação), cinge-se a “homologar” a força política hegemônica presente na organização. Qualquer oposição é sumariamente afastada, desde o menos graduado funcionário na cadeia hierárquica até os presidentes e diretores das empresas do grupo, quando ousam discordar do Conselho de Curadores, que os nomeia e destitui ao seu livre arbítrio.