A proposta de recuperação da Varig, inicialmente elaborada pelas consultorias especializadas contratadas pelas associações de trabalhadores da Varig, foi aperfeiçoada. Atualmente, é a proposta defendida pelo Congresso Nacional, depois que diversas Comissões do Senado e da Câmara debateram amplamente esta questão. A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Varig congrega hoje mais de 390 parlamentares de todos os partidos políticos.
A Varig tem enorme dívida e grande necessidade de capital de giro. Os trabalhadores defendem que, tendo os credores oportunidade de instalar na empresa uma gestão comprometida com o sucesso, a maior parte do passivo poderia ser convertida em ações e investidores privados se disporiam a capitalizar a empresa reorganizada. Simples assim, a lógica da proposta sustenta qualquer exame.
Todas as consultorias que examinaram o assunto, sem exceção, apontam a má gestão corporativa como responsável pela crítica situação da Varig. A empresa é consistente detentora dos melhores indicadores de pontualidade, regularidade e segurança, e do maior lucro operacional do setor.
O balanço da Varig demonstra que a maior parte da sua dívida é com a União (fiscal e tributária) – e a própria União vem sendo reiteradamente condenada na Justiça a lhe pagar. Outros 30% são devidos ao fundo de pensão dos seus trabalhadores (o Aerus), que estão dispostos a converter parte significativa em ações e financiar o restante em longo prazo. Cabem, ainda, 15% da dívida aos fornecedores, que têm todo interesse na continuação dos negócios da empresa. E os restantes 10% pertencem a bancos – que sempre aceitam deságios em créditos duvidosos como, sem dúvida, são os existentes contra a Varig não reestruturada.
Os principais credores se beneficiariam, muitíssimo, com a continuidade do negócio. Tanto pela oportunidade de receber parte dos seus créditos, como mantendo a empresa que, por décadas, vem garantindo, na casa dos bilhões, lucros aos fornecedores, divisas ao país e impostos ao governo. Os investidores poderão participar de uma das principais transportadoras aéreas do mundo, saneada e pronta a remunerar o capital investido.
Os trabalhadores já apresentaram ao governo empresários respeitáveis, dispostos a bancar até 50% do capital necessário à recuperação da Varig. A outra metade, desejam ver financiada com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, contra a garantia de 30% da Varig reestruturada, por ações detidas pelos trabalhadores e caucionadas ao BNDES. Tudo isto, sem atacar o dinheiro do contribuinte e por um valor investido que será a metade da quantia já cogitada pelo governo para liquidar a empresa.