Para muita gente essa solução complica, pelos motivos a seguir enumerados:

• no campo trabalhista, a proposta não permite que se pratique mais um golpe contra os direitos acumulados dos trabalhadores, que seriam esbulhados se a Varig fosse liquidada para depois “ressurgir”, livre de ônus, nas mãos de concorrentes ou de oportunistas. 

• No campo previdenciário, a proposta dos trabalhadores não esconde o rombo bilionário no Sistema de Previdência Complementar e as falhas na sua fiscalização, nem permite que futuros controladores escapem da obrigação de honrar pecúlios. 

• No campo financeiro, a proposta evita que o Estado banque o risco de interesses particulares, como pretendido por quem quer proteger-se da inexorável sucessão de responsabilidade. 

• No campo societário, respeita todos os acionistas e credores, limpa o patrimônio da Varig e garante o pagamento da dívida tributária e fiscal, mas não deixa espaço para lucros especulativos e ganhos injustificados.

• No campo político, reforça os papéis dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em sua função de garantir a Lei e preservar o mais elevado interesse nacional – mas, assim, contrapõe-se a manobras espúrias.

• No campo do interesse público, a proposta dos trabalhadores impede a redução da concorrência, beneficiando os usuários com a sadia manutenção da sua mais tradicional transportadora; aumenta o ingresso de moeda forte na balança de divisas do país e preserva a participação brasileira no mercado internacional; mas não permite favorecimentos a “amigos do rei”. Ou seja, a proposta dos trabalhadores do Grupo Varig choca-se frontalmente com um modo arraigado de fazer negócios em nosso país. Contraria práticas questionáveis na condução de assuntos que envolvem muito dinheiro e os cofres da Nação.