Embora solicitada sistematicamente há mais de três anos, a Fundação Ruben Berta não apresenta um único plano de recuperação para a empresa e ainda dificulta qualquer plano de reestruturação. A cada dia que passa, a empresa fica mais vulnerável.
O vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, defende a aplicação da recém-aprovada Lei de Recuperação de Empresas para salvar a Varig das conseqüências de um endividamento monstruoso. Já os funcionários vêm defendendo a intervenção temporária do governo porque não dá mais para esperar. A Lei nº 11.101, de 9/2/2005, só passará a vigorar em 9 de junho – será preciso esperar por mais de dois meses pela vigência da lei (tempo necessário para sua regulamentação) e, a partir daí, procurar fazer, em 180 dias, um acordo entre os credores em torno de um plano de recuperação para a Varig. É completamente fora de tempo.
A empresa está em tal situação de colapso que até os prazos para a vigência da nova lei seriam uma sentença de morte. A “Lei de Falências”, como é conhecida, dificulta soluções que já foram usadas para empresas quebradas no Brasil, como a transferência de parte do controle da empresa para os funcionários. O que pode e deve ser feito é usar os princípios da nova lei em um projeto para agora. O governo deve nomear um interventor que tenha a capacidade técnica para comandar o processo de reestruturação da empresa. O melhor seria a nomeação de um administrador com credibilidade e experiência, que, auxiliado por um Conselho de Administração composto por empresários reconhecidos, possa apresentar um plano de reestruturação consistente para aglutinar todos os interessados na recuperação da Varig.