A história do processo de perseguição política na Varig está relatada em documentos que circulam hoje nos gabinetes de parlamentares estaduais e federais. O "Dossiê da Perseguição", como ficou conhecido o documento elaborado pelas Associações de Trabalhadores que integram o corpo funcional da empresa, contém toda a documentação comprovando as práticas administrativas utilizadas pelos gestores da Fundação Ruben Berta e pelas diretorias que passaram pela empresa desde 2002.
Com o objetivo de impedir quaisquer discussões que "ameacem" o poder absoluto dentro da Varig, as administrações vêm utilizando métodos terroristas para intimidar os funcionários, demitindo sumariamente lideranças das associações para desorganizar aquilo que sempre foi um dos maiores pilares da cultura da empresa - a sua organização associativa, sempre voltada para a discussão das questões profissionais do grupo de trabalho.
O questionamento da decisão de demitir pilotos na Varig e, depois, fazer uma contratação de pilotos na Rio-Sul e Nordeste, no ano de 2002, foi motivo para a demissão de 3 2 pilotos, entre eles toda a diretoria da APVAR (Associação de Pilotos da Varig) e a Comissão de Negociação, em fevereiro daquele ano. Esses pilotos foram demitidos por alegada "justa causa" e tiveram seus retratos colocados nos postos de polícia dos aeroportos brasileiros, numa das maiores afrontas às liberdades democráticas em vigência neste país. Em setembro daquele ano, outros 31 pilotos foram demitidos, em conseqüência do questionamento que se fazia aos números declarados da dívida da empresa para com o Fundo de Pensão Aerus. O total de 6 3 pilotos demitidos demonstra o comportamento da administração da empresa, intencionalmente voltado para esconder a gravidade do quadro econômico-financeiro, ainda que para isso tenham lançado mão de métodos fascistas para "silenciar" a voz dos trabalhadores .
A retaliação se estendeu às entidades representativas dos trabalhadores – APVAR, ACVAR (Associação dos Comissários) e AMVVAR (Associação dos Mecânicos de Vôo). Na tentativa de asfixiar financeiramente as associações, cortando-lhes os recursos diretos com os quais financiavam a mobilização dos funcionários em defesa da companhia, a diretoria da Varig determinou que fosse suspenso o desconto em folha de pagamento dos sócios em favor dessas entidades – uma prática consagrada pelo uso. O mesmo procedimento foi adotado pelo Instituto de Seguridade Aerus em relação à APRUS, associação que reúne os Participantes e Beneficiários do Aerus, todos com idade entre 60 e 90 anos, num flagrante atentado contra pessoas, hoje idosas, que ajudam a construir a companhia. Um detalhe: a diretoria do Instituto Aerus é indicada pela Varig – a empresa aérea permanece como patrocinadora do Fundo pois, para deixá-lo, deve saldar sua dívida e seu déficit com os beneficiários e pensionistas, ou seja, com os funcionários da Varig, da ativa e aposentados.