Zero Hora
03/08/2010 03h56min
Sindicato apoia paralisação na Gol
Funcionários reclamam de assédio moral e excesso de jornada

Em nota para a imprensa, o Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) informou que apoia a paralisação que estaria sendo organizada por trabalhadores da Gol. Os funcionários estariam se mobilizando por e-mail para realizar uma greve de 24 horas no dia 13 de agosto.

Segundo o sindicato, os funcionários querem "melhores salários, plano de saúde, fim do excesso de jornada e assédio moral". A presidente da entidade, Selma Balbino, afirmou no comunicado que a iniciativa dos trabalhadores é resultado de problemas internos da Gol e também está relacionada à lenta fiscalização do Ministério do Trabalho e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Na segunda-feira, durante o dia, o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Gelson Fochesato, negou que exista uma greve branca na empresa, mas confirma que é cada vez mais difícil adequar a crescente demanda por mão de obra ao número de profissionais existentes. Segundo Fochesato, a formação e contratação de pilotos e comissários não acompanha o crescimento das linhas e rotas concedidas pela Anac. O resultado, diz, é a sobrecarga dos profissionais.

— Fizemos três reuniões com a Gol em julho, para evitar o excesso de horas de voo da tripulação e, assim, garantir mais segurança na aviação. Vamos fazer encontros com todas as companhias aéreas, para assegurar a jornada dos trabalhadores
— afirmou.


Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.