


O Globo
08/02/2010 às 10h56m
Corpo é encontrado em trem de pouso de Boeing da Delta
TÓQUIO - Autoridades japoneses disseram nesta segunda-feira que tentavam identificar o corpo encontrado em um dos trens de pouso de um avião da companhia americana Delta Airlines, na chegada a Tóquio no domingo. A aeronave decolara horas antes de Nova York. O homem morto era negro e vestia uma camisa xadrez de manga comprida e calça jeans, segundo a polícia do aeroporto Narita.
Um mecânico encontrou o corpo no trem de pouso do Boeing 777-200 durante a manutenção após o voo Delta 59.
- Tudo o que sabemos é que ele entrou escondido pouco antes da decolagem, porque é impossível entrar na área durante o voo - disse o policial Zenjiro Watanabe.
O corpo não tinha nenhum ferimento aparente e o homem pode ter morrido de hipotermia durante o voo. A temperatura naquela área da aeronave cai para 50 graus negativos durante o voo. A polícia investiga a possibilidade de acidente ou mesmo um crime.
- É muito bizarro - disse o policial. - Nunca cuidei de um caso parecido antes.
A Delta não comentou o incidente. Em 2007, um homem asiático de cerca de 50 anos foi encontrado morto no trem de pouso de um Boeing 747 da United Airlines após pousar em Xangai de São Francisco.
Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.
Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.
– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.
Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.
– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.
De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:
– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.
Investimento na formação é expressivo
Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.
– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy
De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.