


Valor Econômico
16/08/2010 14:14
TAM está confiante sobre aval à fusão com a LAN
Eduardo Laguna
SÃO PAULO - Os executivos da companhia aérea brasileira TAM mostraram hoje confiança de que a fusão com a chilena LAN será concluída já no primeiro semestre do ano que vem.
Durante teleconferência com analistas, o presidente da TAM Linhas Aéreas, Líbano Barroso, disse que o prazo estipulado para o fechamento do acordo - de seis a nove meses - é "realista" e baseado em transações parecidas no Brasil e no exterior. O executivo citou a aquisição da Pantanal pela TAM em dezembro, cuja autorização foi obtida em aproximadamente seis meses.
No entanto, Barroso afirmou que, diferentemente do que ocorreu no negócio com a Pantanal, a fusão com os chilenos não envolve mudança de controle, dado que 80% do capital votante da companhia aérea brasileira seguirá nas mãos da família Amaro. Essa composição obedece às regras do setor, que impedem aos estrangeiros ter uma fatia superior a 20% de companhias aéreas.
No entanto, na holding que será criada pela fusão - a Latam -, cerca de 70,7% do capital estará sob controle de acionistas da LAN. Em seu bloco de controle, a família Cueto, controladora da empresa chilena, ficará com 24,1%, enquanto os Amaro terão 13,5%.
Apesar da diferença nas distribuição dos papéis, o plano de fusão prevê controle compartilhado da nova empresa, dado que as duas famílias terão pesos iguais no conselho de administração, com dois assentos para cada lado. Outras cinco cadeiras serão de membros independentes.
Além da aprovação dos acionistas, o negócio terá que passar pelo crivo da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Durante o evento com analistas, Marco Antonio Bologna, presidente da TAM S/A, afirmou que o modo como o acordo foi costurado obedece ao marco regulatório do setor aéreo. "É uma união de iguais", disse.
Junto com a presidente do conselho de administração da TAM, Maria Cláudia Amaro, o executivo esteve em Porto Velho (RO) na sexta-feira para expor a fusão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outra frente, Barroso se encarregou de apresentar o plano à presidente da Anac, Solange Vieira.
Se aprovada, a união das empresas fará surgir um grupo com receita anual da ordem de US$ 8,5 bilhões, 45,8 milhões de passageiros, além de uma malha que cobre 116 destinos.
Em valor de mercado, a Latam é a terceira maior aérea do mundo, atrás apenas das estatais Air China e Singapore Airlines. As sinergias esperadas são de US$ 400 milhões a parir do terceiro ano de fusão. "É a primeira empresa aérea latino-americana com condições de competir no mercado global", afirmou Bologna.
Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.
Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.
– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.
Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.
– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.
De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:
– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.
Investimento na formação é expressivo
Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.
– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy
De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.