


Brasilturis Jornal
29/07/2010
Livro mostra os bastidores do grupo VARIG
Os bastidores da crise que levou à falência da Varig, enquanto a Nordeste se tornava a única empresa aérea do Brasil a obter lucros durante o fatídico ano de 2001, é dissecado pelo executivo Alexandre Camargo, que trabalhou na empresa em diversos cargos importantes, como gerente de Vendas, diretor de Vendas e Marketing da Nordeste Linhas Aéreas e gerente do Programa Smiles.
A trajetória dessas empresas, que estiveram presentes no dia a dia de muitos brasileiros e de turistas espalhados por vários continentes, está retratada em “O ano em que só nós tivemos lucro – Como a Nordeste se tornou a única companhia aérea rentável do Brasil e os bastidores da crise que levou à falência da Varig”.
Na obra de 160 páginas, o autor, que comandou o marketing da Nordeste, mostra como levou a empresa a alcançar lucros expressivos, em meio a um cenário de dificuldades do setor. O ano de 2001, por exemplo, é fundamental nessa história, já que foi considerado um ano negro na história da aviação mundial, por conta dos atentados de 11 de setembro.
A partir do episódio, poucos passageiros se aventuravam a entrar em um avião, e companhias aéreas do mundo todo começaram a registrar prejuízos que chegavam facilmente aos bilhões de dólares. O segmento aéreo entrou em colapso. Se empresas de porte estavam à beira da falência, o que esperar da Nordeste, uma pequena regional do grupo Varig, que um ano antes havia perdido R$ 10 milhões? Seguramente, o ano de 2001 não deveria ser nada promissor, mas foi.
Alexandre Camargo mostra histórias reais de homens e mulheres que um dia dedicaram suas vidas ao grupo Varig. E apresenta um pouco da história recente da aviação brasileira, em meio a ações arrojadas, como fazer da Nordeste a primeira empresa aérea a ter publicidade na fuselagem do avião – o que contribuiu para a lucratividade no final do ano.
O livro apresenta cases interessantes adotados pela Nordeste, a “invenção dos toaletes femininos” - hoje seguidos pela GOL - e mostra também como uma empresa de sólida reputação e grandes serviços prestados para o País, como a Varig, pode virar pó quando interesses individuais estão acima do bem comum.
CM
Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.
Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.
– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.
Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.
– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.
De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:
– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.
Investimento na formação é expressivo
Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.
– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy
De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.