Monitor mercantil
30/01/2012 19:01
Galpão da Vasp vai para a Infraero

Uma área de cerca de 170.000m² usada pela Vasp no Aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do país, deve ser liberada até o fim do ano e devolvida à Infraero. A expectativa é do juiz titular da 1ª Vara de Falências de São Paulo, Daniel Carnio Costa, responsável pelo processo de falência da Vasp, e do presidente da Comissão Executiva do Programa Espaço Livre Aeroportos, juiz auxiliar Marlos Melek, que visitaram o local na semana passada.

O programa, da Corregedoria Nacional de Justiça, tem como finalidade remover dos aeroportos toda a sucata de aviões pertencentes a empresas aéreas que faliram nos últimos anos e ainda ocupam espaços nos terminais. No Aeroporto de Congonhas, a área usada pela falida Vasp ainda hoje abriga aeronaves abandonadas, sucata de aviões já desmontados e antigos escritórios, além de um parque de peças de reposição da ex-companhia aérea.

"Trata-se de um espaço nobre, equivalente a 10% da área do Aeroporto, por isso nossa prioridade esse ano é desmontar as aeronaves, vender as peças e liberar essa área", afirmou o juiz Daniel Carnio Costa, um dos parceiros do programa.

Quando foi decretada a falência da Vasp, 27 aeronaves sucateadas foram abandonadas em aeroportos brasileiros. Destas, nove estavam no aeroporto de Congonhas: sete Boeings 737-200 e dois Airbus A300.

Leilão

Em agosto do ano passado, o programa Espaço Livre deu início ao desmonte de quatro destas aeronaves. A sucata resultante desse desmonte e um Boeing 737-200 inteiro da Vasp serão leiloados em São Paulo, no próximo dia 6 de fevereiro. O avião foi avaliado em R$ 100 mil e cada conjunto de sucatas foi avaliado em R$ 30 mil.

Os valores arrecadados irão para o pagamento de credores, principalmente fornecedores e funcionários que atuaram na empresa de 2005 até a decretação da falência. Em seguida serão pagos os débitos trabalhistas, estimados em R$ 1 bilhão pelo juiz Daniel Carnio Costa.

Peças de reposição

As peças de reposição da antiga companhia aérea também começarão a ser vendidas no próximo dia 14 de fevereiro, em um processo semelhante a um garage sale. Os interessados devem se cadastrar na 1ª Vara de Falências de São Paulo e marcar visita ao parque de peças para indicar aquelas que pretendem adquirir. A partir disso, o interessado faz uma proposta de preço para a peça, que pode ser aceita ou não pelo juiz responsável pela causa.

Nesse caso, não haverá lotes para compra. O interessado pode adquirir apenas os itens que lhe interessarem. "Com um passivo desse tamanho não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar nem uma agulha", afirma o juiz auxiliar Marlos Melek.

Segundo ele, a experiência da Corregedoria no caso da Vasp está sendo replicada para outros casos semelhantes. "Criamos um modelo de gestão judicial que agora está sendo utilizado nos processos das outras companhias aéreas, como a VarigLog e a Transbrasil", afirmou.

Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.