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30/06/2010 17:22
Liquidação de fundos de pensão requer regras claras e objetivas

Eder NOTÍCIAS - Seguros

A falta de uma regulamentação que determine o momento exato de liquidação de um plano de previdência complementar e/ou de um fundo de pensão no Brasil está prestes a fazer mais uma vítima.

A última foi o plano da VARIG junto ao AERUS, que obrigou comandantes de vôos internacionais, já aposentados, a voltarem a trabalhar. Agora é a vez do fundo de pensão da CEDAE– Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, cujo nome é PRECE – Previdência Complementar.

De acordo com notícia publicada há alguns dias pelo jornal O Globo, o fundo de pensão PRECE está tecnicamente quebrado e corre o risco de fechar em quatro anos. Isso significa que os 12 mil participantes do fundo sofrerão perdas. Hoje faltam R$ 731 milhões no fundo para arcar com seus compromissos.

Diferentemente do que ocorre nos EUA e na Inglaterra, não há no Brasil nenhuma garantia governamental que cubra as perdas dos participantes em caso de quebra de um fundo de pensão ou de um plano de previdência complementar.

Por isso mesmo a legislação brasileira deveria ser muito mais rígida, antecipando a liquidação de um plano de previdência complementar e/ou de um fundo de pensão sabidamente insolvente e estancando os prejuízos dos participantes.

Nos EUA, o governo garante rendas mensais de até US$ 4.500 para participantes de fundos de pensão liquidados. Essa garantia é paga por um órgão oficial chamado de PBGC – Pension Benefit Guaranty Corporation. Cerca de 744 mil benefícios são pagos mensalmente hoje para participantes de 4 mil planos já liquidados pelo PBGC.

O PBGC funciona como uma seguradora oficial e os prêmios que recolhe são pagos pelas empresas que patrocinam os fundos de pensão. Esses prêmios são definidos pelo congresso americano. Para 2010 os prêmios são de US$ 35 por participante para planos com apenas uma patrocinadora e de US$ 9 por participante para planos com mais de uma patrocinadora.

Nós não temos nada parecido aqui no Brasil. Mas isso não impede que o governo brasileiro, que já monitora os fundos de pensão, adote ações para prevenir as perdas antes que elas ocorram.

Não dá para ficar simplesmente recolhendo os pedaços depois que um fundo de pensão quebrou e os recursos são insuficientes para pagar os benefícios. Porque não criar um programa de “Alerta Antecipado” e adotar medidas restritivas para os planos de previdência complementar e/ou fundos de pensão problemáticos? Porque não definir parâmetros claros para liquidação de um plano de previdência complementar e/ou de um fundo de pensão no Brasil?

As estatísticas do PBGC mostram que os planos liquidados estavam com um nível médio de cobertura das reservas em torno de 69%. O nível de cobertura das reservas de um plano de previdência complementar nada mais é do que a proporção entre seu patrimônio e seus compromissos. Um nível de cobertura de 69% indica que o patrimônio existente cobre apenas 69% dos compromissos.

Um programa de “Alerta Antecipado” poderia, por exemplo, impedir que um plano de previdência complementar com nível de cobertura das reservas inferior a 80%, alterasse o regulamento para melhorar benefícios. Poderia impedir esse mesmo plano de pagar benefícios na forma de “pagamento único”, para preservar o patrimônio.

Da mesma forma, deveriam ser claros e bem definidos os parâmetros para determinar o momento de liquidação de um plano de previdência complementar e/ou de um fundo de pensão. Não há notícia de liquidação, no Brasil, de um plano de previdência complementar e/ou fundo de pensão insolvente.

Por exemplo, planos com nível de coberura das reservas inferior a 70% por mais de dois anos consecutivos, deveriam ser sumariamente liquidados antes que o buraco aumentasse e os participantes fossem ainda mais prejudicados.

Não dá mais para esperar. Essa questão precisa ser enfrentada de forma direta e corajosa antes que o risco sistêmico contamine o sistema de fundos de pensão brasileiro.


Jornal Zero Hora - 27/09/2009
UMA CARREIRA PARA DECOLAR
Mercado nas alturas
Quantidade de profissionais capacitados não acompanha o crescimento do tráfego aéreo no país. O apagão de pilotos levou a Anac a custear aulas práticas em diferentes regiões.

Pilotos e outras profissões relacionadas à aviação podem garantir o seu embarque no mercado de trabalho. O tráfego aéreo de passageiros cresceu 6,5% apenas no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2008, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), abrindo portas para muitas vagas.

Atualmente, são mais de 12 mil aeronaves – incluindo aviões e helicópteros civis de todas as categorias – responsáveis por transportar mais de 50 milhões de pessoas por ano no país. Mas na contramão do crescimento, faltam profissionais qualificados dispostos a seguir carreira, em terra e no ar, apontam especialistas do setor.

– Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no Exterior, onde salários e benefícios são mais atrativos – explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo.

– Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos para os próximos anos – pondera o superintendente.

De acordo com Noman, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos, argumenta Graziella:

– O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais.

Investimento na formação é expressivo

Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, confirma que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, como estimam também os especialistas. Em 2007, acompanhando o pai, piloto militar em viagem aos Estados Unidos, conquistou as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.

– É um diferencial para a carreira. O inglês é valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa – avalia Jaborandy

De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.